Dia Internacional da Mulher e da Menina na Ciência

Conhecimento feminino para construir um futuro mais inclusivo

Uma professora orienta um pequeno grupo de crianças enquanto realizam um experimento científico simples. Usando óculos de proteção, elas observam com entusiasmo a mistura de líquidos coloridos em um frasco sobre a mesa, reagindo e mudando de cor.

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As mulheres representam praticamente metade da população mundial (49,7%), mas apenas um terço da comunidade científica global. E, segundo o relatório 2024 da UNESCO Changing the equation: Securing STEM futures for women, as mulheres ocupam somente 22% dos postos de trabalho em STEM nos países do G20.

Os números no Brasil mostram que nosso país avançou muito na igualdade de gênero na ciência: as cientistas representam mais de 40% das pessoas dedicadas a essa área, com participação significativa nas ciências da saúde e ciências exatas. No entanto, sua participação diminui em campos como engenharia, tecnologia e informática, e continua sendo menor em cargos de liderança científica e tecnológica.

No nível universitário, os dados são um pouco menos animadores: segundo o Censo da Educação Superior de 2023 (INEP, 2024), as mulheres, que representam cerca de 60% das pessoas que obtêm um diploma de ensino superior, correspondem a apenas 36,64% das formadas em disciplinas STEM. Isso demonstra que, apesar de todos os avanços, a desigualdade de gênero na ciência persiste.

O lema escolhido pelas Nações Unidas para 2026 — “Aproveitar as sinergias entre a inteligência artificial, as ciências sociais, as STEM e o sistema financeiro: construir um futuro inclusivo para as mulheres e as meninas” — destaca a necessidade de adotar uma abordagem integral baseada nessas quatro ferramentas para reduzir essas desigualdades.

Mas não podemos esquecer a força da inspiração para promover vocações entre meninas e jovens do nosso país. O Brasil conta com cientistas que marcaram a história e continuam abrindo caminhos: Bertha Lutz foi cientista e bióloga especializada em anfíbios. Além da ciência, lutou para que a igualdade de gênero fosse incluída na Carta das Nações Unidas e trabalhou pela conquista do voto feminino em 1932.

Ao seu lado, outras mulheres se destacam: Elisa Frota Pessoa, reconhecida por seus estudos sobre radioatividade; Márcia Barbosa, física, diretora da Academia Brasileira de Ciências e integrante da Academia Mundial de Ciências, referência em igualdade de gênero na ciência; Nadia Ayad, formada em engenharia de materiais e vencedora do prêmio internacional Global Graphene Challenge Competition; entre muitas outras que no Brasil superaram — e continuam superando — as barreiras de gênero para fazer história na ciência e abrir caminho para novas gerações.

Hoje celebramos as cientistas brasileiras que inspiram e transformam, e reafirmamos nosso compromisso com a igualdade de oportunidades na ciência e na tecnologia. Porque cada menina que se aproxima da ciência se soma ao processo de transformação da nossa sociedade.