Os direitos das crianças no ambiente online

No dia 17 de março entrou em vigor o ECA DIGITAL, uma lei que protege menores na internet

Criança de costas com fones de ouvido azuis escrevendo em um caderno diante de um laptop aberto em uma mesa de madeira, representando o uso da internet por menores em ambiente doméstico.

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A internet já faz parte do dia a dia de quase todos os menores em nosso país. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, 92% dos jovens entre 9 e 17 anos utilizam a internet: estamos falando de 24,5 milhões de crianças e adolescentes. E eles não apenas navegam, como também participam ativamente: 85% têm perfil em ao menos uma plataforma. À medida que crescem, essa presença dispara: de 64% entre 9 e 10 anos, para 79% entre 11 e 12, 91% entre 13 e 14, até chegar praticamente à totalidade — 99% — na faixa de 15 a 17 anos.

Essa conectividade tem muitas faces, e algumas delas menos positivas. À medida que o acesso se universaliza, os riscos aumentam exponencialmente: cyberbullying, sexting, exposição a conteúdos inadequados ou uso abusivo de dados pessoais estão cada vez mais presentes.

É nesse cenário que nasce o ECA Digital, uma lei pensada para proteger menores em todos os ambientes digitais, desde redes sociais até aplicativos de jogos e apostas. Sua abordagem marca uma mudança importante: não se trata apenas de as famílias serem responsáveis pelo controle dos menores, mas também de as próprias plataformas assumirem sua parte. A partir de agora, as empresas de tecnologia deverão se envolver ativamente na prevenção de riscos.

A lei, considerada pioneira nas Américas, introduz medidas muito claras. Menores de 16 anos deverão ter suas contas vinculadas a um responsável legal, que poderá supervisionar suas atividades, definir limites, autorizar compras e restringir interações. E conteúdos prejudiciais, como pornografia, violência extrema, autolesões ou apologia ao suicídio, entre outros, deverão ser bloqueados automaticamente, assim como publicidade enganosa direcionada aos jovens.

Outro ponto-chave é a idade. As plataformas serão obrigadas a implementar sistemas mais eficazes de verificação da idade real do usuário, incluindo verificação documental.

Mas nem tudo recai sobre a tecnologia. A lei também coloca foco na educação, reforçando o papel das escolas e dos educadores na formação digital de crianças e adolescentes: entender os riscos, aprender a usar a internet de forma responsável e proteger sua privacidade será tão importante quanto qualquer outra disciplina.

O ECA Digital reconhece uma realidade evidente: se a vida dos menores acontece também na internet, é preciso protegê-los nesse ambiente. Por isso, na Fundação Mapfre trabalhamos em iniciativas como Ciberland e Viver com Saúde, para garantir que os direitos fundamentais da infância sejam respeitados nesse mundo conectado.